Olá, leitores. A coluna Outro Foco de hoje traz filmes com a Temática LGBT. O número de ataques a pessoas LGBT tem aumentado e isso acabou me motivando para produção desta lista. Porém, como o foco é o cinema vamos abordar como este grupo tem sido retratado na sétima arte. Em minha pesquisa para escrever este texto assisti mais de 10 filmes e constatei que, em grande maioria, filmes com esta temática não têm final feliz (ao menos dentre os quais assisti). Ainda assim, escolhi os que julguei mais interessantes. Confira a seguir.

The Boy Next Door [2008] é um curta dramático de Gregor Schmidinger (Homophobia – 2012) e traz a história de Mark (Michael Ellison), garoto de programa com crise de ansiedade. Ele espera no quarto por seu cliente Mr. Brown (Damon Preston) que foi resolver um problema de emergência. Mark é surpreendido por Justin (Truman Chambers), filho de Brown, que entra no quarto procurando por seu pai após um pesadelo. Sem reação, o rapaz tenta explicar que está ali para uma reunião com Brown. A fim de acabar com as perguntas, Mark convida Justin para jogar video game e os dois se divertem até caírem no sono quando são acordados pela chegada do cliente.

Sinceramente, nunca vi tanto significado em tão pouco tempo. Em The Boy Next Door há múltiplos focos: na profissão de garoto de programa; em como se dá a relação cliente/profissional (de subjugação por meio do “estou te pagando para”); na relação pai/filho, já que Mr. Brown não parece tratar o filho muito bem; na interação entre Justin e Mark, em como se constrói um vínculo de amizade e como ele pode ser capaz de ajudar a superar dificuldades.

A trama é bem apresentada, apesar de rápida e com ações são dinâmicas. As relações entre os três personagens e o roteiro, do próprio Gregor Schimidinger, são capazes de fazer refletir sobre todos esses assuntos. E se eu puder chamar a sua atenção para algo específico, preste bem atenção aos diálogos entre Mark e Justin, pois eles fazem sentido absurdo para a vida/trama. (http://www.imdb.com/video/withoutabox/vi1261962009?ref_=tt_pv_vi_aiv_1)

Weekend [2011] apresenta a história de Russell (Tom Cullen) um jovem rapaz que, ao sair de uma festa com amigos, resolve passar em uma boate gay onde conhece Glen (Chris New). A produção é um drama/romance dirigido por Andrew Haigh (45 Years – 2015).

Russell e Glen são, de certa forma, opostos. Russell é salva-vidas, é certinho, não se assumiu completamente, tem mania de limpeza, adora coisas velhas e chega a ser um tanto tímido. Já Glen é atirado, descolado, tem interessem em artes, é assumido e aproveita mais a vida. A história se desenvolve conforme os dois vão se conhecendo e explicando suas preferências até que Glen conta que vai embora para outro estado estudar artes. Nesse tempo (dois dias), continuam saindo, se conhecendo e acabam se apaixonando.

O enredo de Weekend é tocante é, de fato, uma história de amor e o drama fica por conta da apreensão de saber se o casal vai terminar ou não junto. A interação dos personagens é boa, o carisma deles é alto e você chega a torcer para que a relação dê certo. Não é possível falar muito mais do filme aqui pois acabaria dando spoiler. Contudo, o surpreendente no filme é que a história é totalmente possível de acontecer e, seja você hétero ou gay, se ainda não passou por algo parecido, poderá passar. (http://www.imdb.com/title/tt1714210/?ref_=nv_sr_2)

Freier Fall [2013] (Queda Livre – em português) é um drama alemão do diretor Stephan Lacant (Fireflies – 2006) e traz a história de Kay (Max Riemelt) e Marc (Hanno Koffler) policiais em treinamento. Marc é casado e sua esposa está grávida do primeiro filho. Tudo parece correr bem, tanto em casa, como no trabalho, até que, durante os exercícios da academia ele começa a descobrir um novo sentimento.

As coisas começam a ficar complicadas quando Marc já não consegue mais disfarçar o interesse em Kay deixando a mulher sozinha em casa, não cumprindo com suas obrigações e afastando-se da família. Na academia, os dois vivem em confronto frente aos outros membros, mas secretamente mantêm uma relação mais branda a ponto de Kay deixar uma cópia da chave de sua casa com o colega/amante. Porém, quando o filho nasce, Marc tenta fazer as coisas mudarem deixando de entrar em contato com o parceiro. No mesmo tempo, Kay resolve abrir para a corporação que é gay, o que acaba por gerar a revolta e preconceito de alguns.

Freier Fall além de ser um bom drama é um filme de descoberta e reflete, em muitos casos, as situações que ocorrem na sociedade comum onde, por pressão social, homens e mulheres gays acabam casando-se para serem aceitos ou por ainda não terem se descoberto. A produção reserva várias surpresas. Vale a pena assistir.

Gostou da lista? Tem alguma indicação a fazer? Esta pode ser apenas a parte I. Conte-me o que achou.

Te vejo em breve.
Lisbôa.

Jornalista e atualmente cursando uma Licenciatura em Língua Inglesa, além de um Técnico em Design de Interiores. Aspirante a nerd, é um padawan em treinamento Jedi. Curte jogos, filmes, animes, séries e busca sempre aprender de tudo um pouco.

Comments

comments

%d blogueiros gostam disto: