Truque de Mestre foi uma grande surpresa no verão explosivo de 2013. e conseguiu superar – ao menos em questão de acolhida popular – grandes promessas como Homem de Ferro 3 e Homem de Aço.

Faturou mais de 300 milhões de dólares em um orçamento de 75 milhões e o estúdio não perdeu tempo e já encaminhou mais duas continuações. O terceiro filme da trilogia tem previsão de estreia para 2018 e o segundo filme desta trilogia acabou de estrear nos cinemas brasileiros: Truque de Mestre – O Segundo Ato só demonstra a falta de criatividade da Hollywood atual em querer transformar tudo em franquia.

A história se passa um ano após os acontecimentos do primeiro filme, quando descobrimos que Dylan, personagem do Mark Ruffalo, é, na verdade, o mentor dos Quatro Cavaleiros e armou uma cilada para Thaddeus, personagem de Morgan Freeman.

Eles são rivais desde o primeiro filme e logo na primeira cena desta continuação descobrimos o porquê: o filme abre com um flashback de 30 anos antes com Dylan ainda na infância e vendo o seu pai, que é mágico, morrer no meio de um truque – e com Thaddeus presenciando tudo. A sequência é bonita, elegante e parecia que era esse o caminho que o filme seguiria, mas o que se vê são alguns furos de roteiro e tudo é conveniente demais para explicar as tamanhas reviravoltas que a trama dá, o que é quase inexplicável já que o roteirista deste filme é o mesmo do primeiro: Ed Solomon.

Sem contar que todo o charme do primeiro filme é trocado aqui por sequências que seriam impossíveis em um mundo real e não demora muito para o espectador perceber que aquilo é CGI, tanto nos truques tanto nas locações, já que o filme acontece em Nova York, Macau e Londres respectivamente.

E a maior parte da trama se passa em Macau. É certo que Hollywood está dependente da bilheteria chinesa e não há nada de errado nisso. Pelo contrário: se temos um mercado tão forte quanto o chinês e que pode alavancar a bilheteria – um salvar muitos filmes – é algo para se aplaudir de pé. E assim veremos mais e mais filmes. O problema é que fica a impressão de que os estúdios têm receio de mexer no vespeiro do regime fechado da China e fazem filmes para eles com a desculpa de ser global – Perdido em Marte e Transformers 4 estão aí para comprovar.

Desta vez, os Quatro Cavaleiros vivem no anonimato e precisam realizar um roubo aparentemente impossível sob a liderança de Walter (papel de Daniel Radcliffe) e a forma como eles fazem isso começa muito bem e poderia ser o ápice do filme: uma carta de baralho contendo informações sigilosas é passada de mão em mão dos quatro integrantes para fugirem de uma revista policial. Mas, infelizmente, o que seria vibrante logo se torna uma sequência longa e que a graça inicial vai embora.

O elenco de Truque de Mestre – O Segundo Ato é grandioso e basicamente é o mesmo do primeiro filme. As mudanças principais ficam com Lizzy Caplan (da série Masters of Sex) no lugar de Isla Fisher como a integrante feminina do grupo. O roteiro dá uma explicação rápida da mudança e há duas explicações para Isla não ter topado essa continuação: uma seria a respeito de sua gravidez com seu marido, Sacha Baron Cohen (sim, o Borat em pessoa!), que é a versão oficial e outra não-oficial tem a ver com o fato de ela quase ter morrido no primeiro filme na sequência do truque da água.

Boatos à parte, a verdade é que Lizzy é uma boa atriz, como visto na série e em Cloverfield, por exemplo, e até se esforça para ser um alívio cômico no meio de grupo, mas sua personagem vai se mostrando menos interessante conforme o filme avança e ela se torna esquecível.

O mesmo pode-se dizer de Daniel Radcliffe como um vilão. Ele se diverte no papel e tenta ser um antagonista cômico, mas ele não consegue ter a imponência ou empatia que seu personagem precisava, o mesmo vale para o irmão gêmeo de Merritt, personagem de Woody Harrelson.

Menos por culpa dos atores em si e mais por culpa do diretor, Jon M. Chu, que dirigiu os fracos Ela Dança, Eu Danço 2 e 3 e o documentário do Justin Bieber, Never Say Never (!), que não sabe dirigir atores, está mais preocupado com o visual e, no caso deste filme, tem um grande elenco nas mãos e desperdiça seus talentos – Morgan Freeman e Michael Caine que o digam.

Truque de Mestre – O Segundo Ato, só deve agradar aos fãs do primeiro filme, não deve fazer, nem de longe, o sucesso do filme de 2013 e na iminência de um fracasso, estaremos livres de um terceiro filme, que já foi encomendado.

Nota: 4,0

"Desistir não é uma opção"

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